Roteiro: Peru via Acre, de ônibus

As companhias aéreas vivem fazendo promoção para Cusco ou Lima, mas sempre saindo de São Paulo ou Rio de Janeiro, e para quem mora em Rondônia, Acre e Amazonas, o meio mais barato é o bom e velho ônibus.

Direto

Saindo de Rio Branco, Acre, há uma empresa que vai direto para Cusco, que é a Movil Tours, mas só nos dias de quarta e sábado, às 9:30 da manhã, chegando lá no dia seguinte bem cedo. Ele para na fronteira para você fazer os trâmites. A passagem custa R$ 152,00 (aproximadamente, não sei se ainda é esse valor).

Vários trechos

Como eu cheguei em Rio Branco numa quinta, não pude pegar o ônibus direto. Então tive que fazer o trajeto quebrado, com táxi, van e ônibus, que parece complicado, mas não é! Abra o google maps, olhe as cidades para se localizar melhor, e siga os passos:

  • De Rio Branco a Assis Brasil/Iñapari: Esse trecho pode ser feito de ônibus ou táxi. A Real Norte tem ônibus às 6h e 12h, mas deve ter outras também. O preço é aprox. R$ 40,00 e a viagem dura umas 6h. Como chegamos muito cedo em Rio Branco, não quisemos esperar o ônibus e pegamos um táxi para nos levar até a fronteira. O valor combinado ficou R$ 65,00 por pessoa (ATENÇÃO: deixe bem combinado com o taxista o valor por pessoa e o local onde ele vai te deixar).

Depois de umas 3 horas de viagem, chegamos à entrada da cidadezinha chamada Assis Brasil, que fica na fronteira com o Peru. É aí que temos que passar na Polícia Federal para dar saída do país e carimbar nosso passaporte (ou apresentar o RG). Não é necessário entrar na cidade. Depois da PF, o taxista pode te deixar em Iñapari, que é o lado peruano, onde você deve passar pela Aduana e dar entrada no Peru. Os taxistas brasileiros só vão até aí.

Lembrando que a fronteira Assis Brasil/Iñapari não é só atravessar a rua. Tem um bom trechinho de caminhada então é melhor combinar com o taxista o seguinte: te esperar na PF brasileira e depois te deixar em frente à Aduana de Iñapari (fica no centro, na avenida principal). Logo na frente da Aduana, mulheres vão te abordar oferecendo câmbio. Nós trocamos com a Tuka, que tem uma banquinha/lanchonete, ela é brasileira e você pode trocar dinheiro com segurança!

Plano B: Caso você não consiga táxi nem ônibus para Assis Brasil, divida os trechos: ônibus ou táxi para Brasiléia, e de lá outro para Assis Brasil.

  • De Iñapari a Puerto Maldonado: Depois de carimbar os passaportes (guarde bem o papel branco que eles te dão) e trocar um pouco do nosso dinheiro por soles, encontramos uma van ali mesmo na frente da Aduana peruana, que estava prestes a sair, perguntamos quanto e era 35 soles por pessoa. O rapaz guardou nossas mochilas no teto da van e entramos. A van era bem desconfortável, mas tudo bem, afinal é uma viagem curta até Puerto Maldonado, né? Não! São 4 horas de viagem em ritmo lento (os motoristas não correm), numa van desconfortável e com o clima muito quente ainda.
  • De Puerto Maldonado a Cusco: depois de uma viagem calorenta, chegamos a Puerto Maldonado, a van só ia até uma rua no centro, mas por 3 soles a mais, nos deixou na rodoviária (que a partir daqui você só vai chamar de terminal terrestre ou terrapuerto, se disser “rodoviária” eles não vão entender). OBS.: No terminal, sempre que pegar um ônibus para outra cidade, é necessário ir até um guichê central e pagar a taxa, que varia de 1 a 3 soles (que vai ser anexado na sua passagem). Já era de tarde, compramos a passagem para Cusco com a empresa Los Chankas, por 50 soles, e deixamos as mochilas guardadas com eles. No terminal não há nenhuma lanchonete, então saímos pra almoçar, de depois tomamos banho no terminal e ficamos esperando até embarcar às 8 da noite. A viagem não foi tão confortável, e chegamos a Cusco bem cedinho no dia seguinte.
Posto da Polícia Federal na fronteira do Brasil e Peru

Fronteira Brasil – Peru

Fronteira Brasil - Peru

Logo após passar na PF

Van do Acre ao Peru

Van de Iñapari a Puerto Maldonado

Terminal rodoviária de Puerto Maldonado

Terminal terrestre de Puerto Maldonado

Para a volta

Direto: a Movil Tour sai às segundas e quintas.

Por trechos:

  • De Cusco a Puerto Maldonado: Há vários ônibus saindo todos os dias, os preços variam, escolhemos dessa vez a Civa. Um detalhe é que os ônibus sempre podem ser piores do que as fotos que existem nos guichês! Então não espere um ônibus super bom, principalmente se pegar os mais baratos. Saímos às 8 e meia da noite e chegamos em Puerto Maldonado umas 7 ou 8 da manhã.
  • De Puerto Maldonado a Iñapari: Do terminal, pegamos um táxi até o centro, na “avenida das vans” (não sei o nome da rua, mas é só perguntar das vans para Iñapari que eles sabem). Nessa rua, tinha uma van esperando lotação, combinamos por 35 soles por pessoa e saímos. Novamente não era nada confortável, sem contar que pifou no meio do caminho. Depois de 4 horas chegamos em Iñapari, trocamos algum dinheiro que sobrou, passamos na Aduana, e voltamos pra van, ele nos deixou em Assis Brasil, em frente à praça. Nisso já era quase 1 da tarde. A cidade é bem pequena e só tinha um restaurante por perto. Na praça há táxis que vão a Rio Branco por R$ 75,00 por pessoa. Também há ônibus, mas não tem rodoviária, o ponto é na esquina da praça e ninguém sabia nos informar muita coisa, apenas que ele passava às 3 da tarde.

Preferimos não pegar esse ônibus porque podia ser muito demorado ou pinga-pinga. Pegamos um táxi que só podia ir até Brasiléia, por R$ 50,00, ele nos esperou na PF para dar entrada novamente no Brasil, e chegando em Brasiléia ele chamou um colega, trocamos de carro e esse segundo taxista nos levou de Brasiléia a Rio Branco por R$ 25,00. Total: R$ 75,00. Chegamos em Rio Branco 8 da noite, e já corremos para comprar passagens para Porto Velho, para as 21h. Deu tempo de ir ao banheiro, fazer um lanche rápido e embarcar, chegando em Porto Velho às 6 da manhã.

As estradas

As estradas do Acre alternam entre trechos com muitos buracos, muitos mesmo, e outros bons. Já no Peru, todas as estradas pelas quais passamos estavam ótimas, sem buracos, o “problema” é somente as curvas e precipícios, algumas são bem estreitas, mas os motoristas não correm e pelo visto conhecem bem o local, então não precisa se preocupar.

Dicas

É uma viagem bem cansativa, mas bem mais econômica do que avião, pelo menos para nós. A dica de ouro é combinar bem com os motoristas ANTES, pois de Rio Branco a Iñapari, por exemplo, o taxista quis nos cobrar mais caro chegando lá. Não espere muito conforto nas viagens de van. Ônibus de Puerto Maldonado a Cusco (e vice-versa) existem muitos, pesquise os preços e serviços oferecidos. A melhor delas, e mais cara, é a Cruz del Sur.

Roteiro e Valores

Fizemos uma viagem de 13 dias pelo Peru, todos os trechos de ônibus. No dia 31.07 o trecho foi Porto Velho-Rio Branco, com saída às 21h e chegando às 4:30 da manhã do dia 01.08. Nesse mesmo dia fizemos os trechos Rio Branco a Assis Brasil/Iñapari, Iñapari a Puerto Maldonado, e de noite Puerto Maldonado a Cusco, chegando em Cusco no dia 02.08 às 6 ou 7h da manhã. Na volta, saímos no dia 11 de noite de Cusco, chegando a Puerto Maldonado às 7h no dia 12, saímos em seguida para Iñapari/Assis Brasil, e de lá para Brasiléia e Rio Branco, chegando na capital acreana às 20h. Saímoa às 21h para Porto velho e chegamos às 5h da manhã do dia 13.08.

O que gastamos com chegada e saída de Cusco foi:

Porto Velho a Rio Branco (Real Norte) R$65,50

Rio Branco a Iñapari (táxi) R$65,00

Iñapari a Puerto Maldonado (van) S/38,00 (aprox. R$32,00)

Puerto Maldonado a Cusco (Los Chankas): S/40,00 (aprox. R$33,00)

Cusco a Puerto Maldonado (Civa): S/50,00 (aprox. R$41,00)

Puerto Maldonado a Assis Brasil (van): S/35,00 (aprox. R$29,00)

Assis Brasil a Brasiléia (táxi): R$50,00

Brasiléia a Rio Branco (táxi): R$25,00

Rio Branco a Porto Velho (Real Norte): R$65,00

Total gasto com ida e volta, de Porto Velho a Cusco: R$ 405,50

Leia o relato dessa viagem na série Diários de Viagem: Mochilão Peru.