Passeando em Dublin: a prisão Kilmainham Gaol

Só depois de 6 meses aqui resolvi conhecer a Kilmainham Gaol, uma antiga prisão aqui em Dublin, que foi desativada e hoje é uma atração turística muito visitada, com museu, loja, galeria e café. O tour guiado é ótimo, muitas explicações interessantes!

Para conhecer a prisão, somente com o tour, que custa 2 euros pra crianças e estudantes e 6 euros pra adultos. Fomos hoje (domingo) às 11h e pegamos o tour das 11:15. Fica aberta todos os dias com raras exceções (tipo Natal) e com vários tours por dia. Veja os horários aqui.

prisão-dublin

Nosso guia foi o Brian. Mas logo antes do tour andamos pelo museu, que tem muitos documentos relacionados à prisão e os presos, o sistema judiciário da época, utensílios, roupas e cartas. Tudo interessante mas é melhor deixar pra conhecer o museu após o passeio, pois no começo ainda não sabemos muito sobre o que aconteceu ali, e depois do passeio apreciamos muito mais os objetos e documentos, depois de ter ouvido as explicações.

guia-tour

O tour começa com um video que assistimos em uma capela, com um pequeno altar e uns bancos de madeira. O guia da as explicações iniciais sobre as revoluções que ocorreram na Irlanda, alguns presos que passaram por lá e sobre o local onde estávamos. Ali naquela capela, atrás do altar, tinha uma porta por ponde os prisioneiros passavam, e a partir dali, apenas a forca. Eram enforcados publicamente na frente da prisão, com o povo assistindo, na altura da janela em cima da porta de entrada:

kilmainham_gaol

Ao todo foram executados por enforcamento 140 presos, mas em 1868 a pena de morte foi abolida. só que depois do Easter Rising (a revolução de 1916) os seus líderes foram presos e executados ali, a tiros.

cela

Depois da capela passamos por uma das partes mais antigas, que é um longo corredor com as celas. As celas abrigavam apenas 1 preso em cada. Porém, na época da grande fome na Irlanda, muitas pessoas cometiam crimes apenas para irem presos, pois na prisão eles tinham 2 refeições, enquanto fora dela aproximadamente 1 milhão de pessoas morreu de fome. Nessa época chegou a ter 5 pessoas em casa cela. As celas não tinham banheiros, apenas um balde que era esvaziado 1 vez por dia.

tour

No fim do corredor, subimos uns degraus e mais um corredor de celas, dessa vez estávamos no andar do meio, tendo mais um embaixo e um em cima. Uma parte do chão era de grades, e não tijolos ou pedra, então os guardas podiam ver em cima e embaixo. Nessa ala, em cima de algumas celas tinham umas plaquinhas em cima com os nomes dos líderes da revolução, como P. H. Pearse, William Pearse (o irmão mais novo do Patrick, nem era um dos líderes mas foi executado apenas pelo parentesco), Joseph Plunkett, Thomas Clarke, etc.

A história de Joseph Plunkett foi incrível. Um dia antes de sua execução, ele se casou na capela (a do início do tour) com Grace Gifford. Após a união eles tiveram apenas 10 minutos em sua cela, e com os guardas vigiando. Depois ela foi levada pra fora da prisão e algumas horas depois ele foi executado. Sete anos depois, e, 1923, Grace foi presa nessa mesma prisão, por lutar na guerra civil (1922-1923) contra o Tratado “Anglo-Irish”. Em sua cela, eles permitiram que ela tivesse tintas e pincéis e ela pintou a parede do fundo.

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Visitamos também uma das celas onde ficavam os ricos e poderosos, como o político Charles Parnell. A cela era umas 5 vezes maior que as outras, tinha uma lareira e o preso tinha muitos privilégios, como receber visitas e encomendar comida dos restaurantes na cidade. Parnell inclusive foi pra Paris por 2 semanas para um enterro de um parente.

charles_parnell

Uma das partes mais interessantes, já no final do tour, foi ver o local onde os líderes da revolta de 1916 foram executados. Uma cruz marca o local, assim como uma placa com os nomes e datas. Um dos presos estava ferido e muito doente, nem conseguia andar ou ficar de pé, e no dia da execução ele foi trazido do hospital, colocado em uma cadeira e assassinado ali, no muro oposto, onde também há uma cruz.

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O guia falou muita coisa legal sobre essas revoluções, sobre como eles se envergonham da civil war, que dividiu muitas famílias, os que eram a favor ou contra o tratado. Crianças também ficaram presas ali, por alguns dias, por crimes pequenos como roubar batatas.

O último preso ali, segundo o guia, foi Eamon de Valera, e em 1924 foi desativada. Vista como um local de sofrimento e opressão, durante muito tempo não houve interesse em preservar aquele lugar. Nos anos 50/60 um grupo chamado “Kilmainham Jail Restoration Society” começou a articular uma restauração e preservação como museu, que foi concluída em 1971.

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A prisão é um dos ‘monumentos’ à independência da Irlanda. A maioria dos líderes das rebeliões (1798, 1803, 1848, 1867 e 1916) foram aprisionados ali, e também durante a Guerra da Independência (1919-19210) e Guerra Civil. Uma aula de história! Eu confesso que preciso estudar sobre a história irlandesa, sei pouca coisa.

Enfim, o tour é muito bom, não sei porque não tinha ido antes. Agradecimentos especiais aos flatmates, que me acompanharam nesse passeio: Ana, Pedro e Schumager.

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