Como é morar em Dublin? Parte II + Documentário

Nesse segundo post da série “Como é morar em Dublin?” você vai ver que nem tudo é perfeito. Mas quem esperava que seria, não é mesmo?

No primeiro post (clique aqui para ler) eu só falei das coisas que adoro em Dublin. E pra ficar justo achei que devia falar um pouco do que não é tão legal assim, embora minha opinião ainda seja a mesma: eu gosto daqui e adoro morar aqui.

Esses dias, coincidência, fui pra aula e o professor fez a gente assistir a um documentário sobre a principal rua de Dublin, a O’Connell Street, as pessoas que trabalham lá, as lojas antigas e as novas, os moradores de rua, o consumo de drogas, o lixo. E achei que tem tudo a ver com o que eu queria falar sobre a cidade!

O documentário foi feito este ano pela emissora RTE e está sem legendas. Não se preocupe se não entender tudo. Eu confesso que não entendi quase nada do que o dono da banca de revistas falou (ele tem um sotaque forte) e quase ninguém na minha sala entendeu também.

Update 02/12: O vídeo saiu do ar, e não encontrei outro link ainda 😦

The Street (48:20)

Assistiu? Bom, agora você tem uma noção real do que é o centro de Dublin! E pôde perceber quais são os maiores problemas enfrentados pela cidade:

homeless-dublin

Image: Sam Boal/Photocall Ireland

Homeless people

Pessoas sem-teto. Pois é, andando pelo centro, praticamente a cada quadra você vai cruzar com uma pessoa sentada na calçada ou numa ponte, encostada na parede e enrolada num cobertor, com um copo na mão pedindo um trocado. Eles ficam lá no canto deles, não te abordam, não te seguem nem nada.

Existem alguns abrigos gratuitos onde eles podem ir passar a noite. Mas acho que não tem camas suficientes para todos, e meu professor disse que alguns não querem mesmo ir. No vídeo dá pra ver bem.

Crise imobiliária

Eu não pesquisei a fundo essa situação e o que sei é o que dois irlandeses me contaram. Primeiro foi uma professora, me disse que há alguns anos, por causa da crise, simplesmente pararam de construir casas aqui. Por isso o aluguel está tão caro, ainda mais com milhares de estudantes e imigrantes que não param de chegar. Outro me disse que tinha um amigo arquiteto que perdeu o emprego, por causa da crise que afetou gravemente o setor de imóveis e construção. Esse arquiteto perdeu o emprego aqui há 5 anos e foi trabalhar no Brasil e está lá até hoje.

O aluguel está caro, principalmente no centro. Quando eu disse qual era a média de preços (para um quarto compartilhado) minha professora disse que vai alugar um quarto na casa dela e ficar rica! MAS, por outro lado, também é no centro que se concentram a maior parte dos prédios onde moram as pessoas que dependem do governo. Os mais pobres, os knackers etc.

Lixo

Ao andar pelo centro a gente sempre vê lixo pelo chão, não uma quantidade absurda, mas tem. Latas, garrafas, embalagens, papel. E olha que o serviço de coleta de lixo aqui é boa, tem várias empresas que fazem isso e eu sempre, todos os dias, vejo os caras recolhendo o lixo das lixeiras e também do chão. Mas ainda assim o centro não é super limpo. E muitos muros são pixados.

Os nanás

Agora sim, vamos falar do que mais afeta os estudantes/estrangeiros/brasileiros? Eu lembro que vivia preocupada com isso antes de vir. Os knackers são, falando bem claro, vagabundos e arruaceiros, que só querem bagunçar. Logo que cheguei um cara que já morava aqui há mais tempo me disse que os mais “perigosos” são os mais novos, os moleques mesmo. Que os adultos geralmente não fazem nada.

E o que essa molecada faz? Anda em grupos, xinga as pessoas na rua, tacam coisas, em raros casos eles batem. Eu comecei a perceber mais a presença deles quando reparei em restos de ovo jogados nas calçadas de várias ruas no centro e aqui pertinho de casa. Sim, eles adoram tacar ovos nos estrangeiros! Não importa se é mulher, homem, brasileiro, coreano ou espanhol. E um tempo atrás eu estava passando numa rua aqui perto e bem na frente de um mercado pequeno tinha 4 adolescentes, uma menina e 3 meninos, de uniforme, rindo e fazendo escândalo. Quando olhei pra mão deles, estavam segurando ovos. Claro que eu passei do outro lado da rua! haha

O melhor a fazer é passar bem longe desse povo. Por sorte isso foi o mais perto que cheguei deles. E pra reconhecer é fácil: usam moletom cinza e tênis da Nike. A maioria, pelo menos. Ou seja, viu um grupinho de moleques falando alto pela rua, passa longe. Mas dizem também (há toda uma lenda urbana em volta dos knackers) que eles são bem covardes, que só parecem valentes e que se você revidar ou correr atrás deles, eles correm. Essa é a única coisa que não me deixa 100% tranquila andando por aqui, sempre fico atenta pra identificar esse povo.

Já os adultos, geralmente estão bêbados na rua, alguns gritam quando alguém passa perto. Uma vez aqui na rua de casa tinha um velho, com muitos casacos (estava calor), uma touca e óculos escuros. Quando eu passei com um amigo ele gritou “go to hell!”. Super bêbado. Porque aqui não pode beber na rua, mas esse povo bebe, a qualquer hora do dia. Ou então sempre vejo “casais de moletom”, com o cara gritando com a mulher, mas abraçando ela, ou os dois discutindo. Já vi muitos mesmo. E eles tem a pele horrível, cheia de marcas e dentes podres. No documentário mesmo mostrou os caras recolhendo seringas nas calçadas, que o povo usa pra se drogar.

Transporte caro

Dublin tem ônibus, Luas e Dart, são eficientes e você consegue qualquer informação na internet ou em aplicativos para celular. Mas não é barato! Uma passagem de ônibus do centro para Dublin 3, por exemplo, que nem é longe, custa 2,60, o que dá mais de 8 reais!

Eu só uso de vez em quando e muita gente aqui tem bicicleta pra economizar.

bikes

Roubo de bikes

Falando em bicicleta, o índice de roubos é enorme! Todos os dias vemos nas ruas só os cadeados agarrados aos postes, e se você coloca um cadeado forte, eles roubam as peças! Já vi dezenas de bikes sem o banco, sem o guidão, as rodas… Uma menina que chegou na mesma semana que eu comprou uma, alguns dias depois foi imprimir um documento na lan house, deixou a bike presa na calçada e quando saiu ela não estava mais.

Roubo

De vez em quando eu vejo alguém no Facebook contando que teve a casa invadida e alguém furtou objetos como laptops, celulares, carteiras. Desses relatos, nunca vi ninguém dizendo que o invasor usou violência, ameaçou alguém etc, geralmente não tinha ninguém na casa no momento. Claro que a quantidade desse crime aqui não faz nem cócegas nas estatísticas brasileiras, mas mesmo assim é bom ter cuidado, deixar sempre a porta e as janelas trancadas, não deixar estranhos entrarem na sua casa o tempo todo (tipo o amigo do amigo do conhecido do seu flatmate), cuidado com festas em casa onde vai muita gente desconhecida, etc.

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9 comentários sobre “Como é morar em Dublin? Parte II + Documentário

  1. Oi, Bethânia! Adorei esse post! Adorei porque concordo com tudo, tudo o que você apontou aqui.
    Eu cheguei a ver esse documentário há algumas semanas e, de fato, o centro de Dublin é tenso – moradores de rua, arruaceiros, bêbados, gente que se droga, lixo (apesar da limpeza constante, como você disse), etc, etc.
    Roubos: conheço gente que já teve casa roubada e gente que teve bike roubada. Morro de medo de roubarem a minha bike, mas eu sou meio “em time que tá ganhando não se mexe”: sempre estaciono no mesmo lugar e ela tá sempre lá – nunca, nunca, NUNCA pelos lados da O’Connell, Parnell, Abbey St… estacionar ali é pedir pra ter a bicicleta roubada!
    Knackers são um caso à parte e eles tem uma história e existe todo um porquê deles serem assim. Infelizmente, não acho que o comportamento deles vá mudar, então a gente aprende a conviver com isso, né? O caso da molecada é foda mesmo, eu morro de medo dos moleques – e são moleques, crianças, às vezes adolescentes. Sobre os casais que gritam um com o outro: HAHAHAHA, verdade.
    Enfim, Dublin é demais mas não é perfeita, e acho legal as pessoas observarem e discutirem os problemas também. Ótimo post!

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  2. Pingback: 5 meses na Irlanda! | Um Tempo Fora

  3. Oi Bethania. Adorei seu blog. Gostei muito deste post, mas não consegui acessar o video. Você pode mandar de novo o link ? Obrigada.

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  4. Pingback: Guia do Intercâmbio na Irlanda | Um Tempo Fora

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